Sempre fui ambicioso


José Araújo conta como o Algés foi campeão
Duas décadas depois, o Algés voltou a fazer a festa no feminino. E agora, pela mão do treinador José Araújo, que esteve no clube a tempo inteiro, com a missão de criar uma “mentalidade ganhadora”. O objetivo foi cumprido e agora o desafio passa por fazer do histórico clube lisboeta uma escola de formação. Leia a entrevista nos detalhes desta notícia.
Quando aceitou o convite do Algés imaginava um final como este? 
Aceitar este convite foi fácil, era um desafio muito grande o que me motivou imenso. Honestamente, o objetivo inicial era que a equipa fosse muito competitiva. Sempre fui ambicioso e por isso a questão do título esteve sempre presente, com o decorrer da época tornou-se claro que tínhamos muitas hipóteses de ganhar.
Para um clube que não era campeão há 20 anos, foram precisas muitas mudanças para que isso voltasse a ser possível? 
Não me é fácil responder a esta questão. Como já foi dito pelos diretores do Algés houve uma aposta num treinador a tempo inteiro, o que foi uma mudança para o clube. O meu trabalho foi construir uma mentalidade ganhadora, que permitisse ao Algés regressar à conquista de títulos. Foi necessário que todos se preparassem para os momentos de decisão, onde cada um tinha que desempenhar as suas tarefas para que fosse possível alcançar o sucesso. Acabamos a época com este sentido de responsabilidade e conseguimos deixar para trás o peso de não ganhar à muitos anos. Pessoalmente foi muito gratificante ajudar este clube com uma história tão rica a voltar a conquistar o título.
Na sua opinião, em que aspetos o Algés foi superior aos adversários de forma a tornar-se campeão? 
Claramente fomos a equipa mais consistente a nível defensivo. Tínhamos qualidade e talento ofensivo mas neste aspeto não fomos tão regulares. Sempre que as coisas não estavam bem no ataque a nossa defesa garantiu que fossemos capazes de ir ultrapassando as dificuldades. Perdemos poucos jogos durante toda a época, e alguns valiam títulos, mas essa aprendizagem foi fundamental para que ficasse claro para todos que a nossa maior arma seria sempre a defesa.
Acha que esta época a Liga Feminina foi igualmente disputada? 
Já o disse vária vezes, muito cedo se vaticinou que a Liga ia ser desequilibrada, e não foi o que aconteceu. Ficou claro que havia um grupo de equipas com mais argumentos para disputar os vários troféus mas não aconteceu um desequilíbrio tão grande como se pensava. Não aconteceram muitos resultados com grandes diferenças pontuais e as equipas com menos argumentos acabaram por dar muito trabalho às teoricamente mais fortes. Há muitos treinadores a trabalhar com qualidade e por isso não houve jogos garantidos para ninguém. Em cinco provas disputadas tivemos três vencedores diferentes.
Confirma que vai ser novamente o treinador do Algés para a próxima temporada? E se sim, quais os motivos que o levaram a aceitar o convite? 
Também já foi tornado público pelos dirigentes do Algés que há vontade de todos para que continue à frente da equipa. Por um lado sinto-me muito bem em Algés, é um histórico do basquetebol nacional, tem uma excelente organização e sempre fui muito bem tratado. Por outro lado existe , por parte dos responsáveis do clube uma grande vontade de continuar a crescer com uma grande aposta na formação. Mais uma vez continua a ser um desafio muito interessante para mim.
A competição europeia continua a ser um desafio aliciante para si? 
Será sempre muito aliciante, tive a sorte e o privilégio de participar quatro vezes e confesso que sinto falta de jogar a esse nível. É muito importante para mim como treinador e decisivo para as jogadoras que tenham a oportunidade de competir contra jogadoras de um nível e qualidade tão alto.
Se lhe dessem poder e meios para o fazer, o que alteraria no basquetebol feminino do Algés de modo a aproximar-se do clube ideal para treinar? 
Felizmente este clube é gerido por pessoas muito experientes e com uma grande vivência da modalidade. Quero com isto dizer que aquilo que considero importante e decisivo para que o clube continue a crescer está em perfeita sintonia com os dirigentes do clube. Aquilo que considero, consideramos, decisivo e essencial para o crescimento do basquetebol feminino do Algés passa por voltar a fazer do clube uma grande escola de formação. Apostar na formação de treinadores também é um ponto importante para que no final a equipa sénior possa continuar a ser competitiva com jogadoras formadas no clube e já identificadas com uma filosofia comum a todos os escalões. Tenho a certeza que em poucos anos o Algés será um dos projetos mais entusiasmantes e completos do basquetebol feminino do país.

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